Bate-papo virtual (Fragmentos de um papo)
H - oi!
M - oi! é você?
M - ou seja, ...?
M - é voto de silêncio? tá!
M - quem é?
M - desculpe-me! já vi quem é!
M - e pelo que sei, está a fazer voto de silêncio!
M - ah! como vai?
H - caminhando
H - outro dia vi sua msg, mas você já tinha saído...eu não estava na máquina.
M - nossa! como consegue digitar andando?
H – meu humor anda meio em baixa.
M - pois é...por conta disso fiz mau juízo de vc!
H - acontece...nem sempre estou na máquina...
M - foi bom encontrá-lo por aqui! vou responder meus e-mails e atualizar meu blog. Até...
H - ok...te+
...
M - quem é?
H - oi
M - ah! já vi! como vai?
M - hummmmm!
H - td bem?
M - td! estava com...
M - nossa! travou tudo aqui!
M - to indo! tchau!
M - oi
H - oi
M - oi
M - tchau!!
Edna Oliveira de Sant' Ana
Bate-papo virtual (fragmentos de um papo): Meus escritos
Salvador, em algum momento de um ano qualquer.
Inquietação...
Um dia a gente acorda e percebe que o nosso corpo não responde tão prontamente como desejamos. É um sintoma da passagem do tempo, ou seja, são coisas da idade! À proporção que ela avança o efeito vai sendo devastador! Por mais que se queira ignorá-la, por mais que se tente amenizar os seus efeitos, infelizmente, ela é implacável. Os mais otimistas exibem-se mostrando um pseudo vigor físico, pensando que com isso irá driblá-la, mas ela continua avançando, alheia às tentativas de impedir à sua trajetória. Ela fica à espreita e a qualquer descuido nos derruba. Isso não significa que não devamos lutar, mas há momentos em que o desânimo toma conta e dá vontade de entregar os pontos, de deixar que ela seja soberana e mine, de uma vez, as nossas resistências.
Mas como o instinto de sobrevivência do ser humano é mais forte que tudo, dá-se uma volta por cima e a batalha continua. Sabe-se que é uma luta inglória, pois um dia a dita cuja vai vencer, mas não se deve facilitar o seu intento.
Edna Oliveira de Sant'Ana
Inquietação...(Coisas da idade): Meus Escritos
salvador, 19 de Abril de 2008
Oi, visitantes! O outro poema que fiz referência na postagem do dia 29/04/09 é este:
A um passo do desconhecido (E o que resta agora?)
Cabelos brancos,
Ombros curvados,
Pernas trôpegas,
Mãos trêmulas.
Visão embaçada,
Audição confusa,
Fala embolada,
Pele enrugada.
Olhar vazio,
Memória fraca,
Esquece o presente,
Lembra o passado,
Lembranças boas,
Lembranças amargas,
Mas todas bem-vindas,
Pois preenchem a sua vida.
Cochila de dia,
à noite passa em claro.
Chora facilmente e
sorri francamente.
Não coma isso!
Não coma aquilo!
Cuidado com o coração!
Controle a pressão!
Lamenta a vida
e amaldiçoa a sorte,
pois as perdas são muitas
e a solidão é inevitável.
Tudo lhe é negado,
nada lhe é permitido
a não ser as dores do corpo
e o abandono da vida.
E o que resta agora
a um ser tão alquebrado?
Seguir, passo a passo,
rumo ao desconhecido.
Edna Oliveira de Sant' Ana
A um passo do desconhecido (E o que resta agora?): poema.
Salvador, 10 de Março de 2004.
Abrigue-me sob as tuas asas até que a tormenta passe.
Olá, pessoal!
Há mais de um mês que eu não apareço por aqui. Minhas caixas de correspondência estão lotadas e ainda não consegui responder a todos. Vou fazer isso aos poucos. O motivo da minha ausência deve-se ao estado de saúde da minha mãe que precisou, em caráter de urgência, se submeter a duas cirurgias. Ela esteve internada por 10 dias, ficou 60 horas na UTI, mas já teve alta. Agora está sob os meus cuidados e se recupera muito bem.
Tenho dois poemas inspirados em minha mãe que no próximo setembro fará 89 anos. O primeiro é de 2004, “A um passo do desconhecido”, onde eu falo da velhice, do enfraquecimento das funções vitais, da debilidade física e mental e do isolamento a que todos nós estamos sujeitos.
Em 2006 eu fiz “Mãe”, nas proximidades do seu aniversário, onde eu louvo a abnegação, a dedicação extrema da maioria das mães aos filhos. Em homenagem ao dia das mães que será em 10 de maio, vou reeditar este último.
Mãe
Foram tantos os rebentos
que você carregou no ventre,
amamentou no peito
e embalou no berço.
Sobressaltava-se a cada gemido
e corria para nos consolar.
Nos aninhava nos braços e cantava
uma cantiga de ninar até o pranto parar.
Vibrava com cada passinho,
emocionava-se com cada dentinho,
surpreendia-se com cada balbucio
e dava tudo pelo nosso sorrisinho.
Vivia entre fraldas e papas,
banhava-nos com todo cuidado,
vestia-nos com muito esmero
e anelava os nossos cabelos.
Cuidava da dor de barriga,
da gengiva que inchava,
do machucado que incomodava
e no seu regaço nos aconchegava.
Era um mundo encantador onde
você se desdobrava com amor e
nos atendia a cada necessidade
com um toque de mágica...
E essa foi a primeira de muitas
outras etapas da vida da gente
com você sempre presente
doando-se generosamente.
Mas o tempo foi passando,
os rebentos crescendo,
os papéis se invertendo,
os fatos se sucedendo
e a cada dia ficamos mais ausentes... Porém,
Você será sempre aquele ser mágico presente
que irá velar por nós eternamente.
Sabe por que, mãe? Porque mãe é mãe!
Edna Oliveira de Sant’Ana
Mãe (Mãe é mãe): Meus escritos
Salvador, 20 de setembro de 2006.
A obra de Pablo Picasso, Nu na Floresta, de 1908, pode ser admirada no Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia. Sobre ela, a crítica especializada diz o seguinte: o desdobramento frequente dos pontos de vista torna mais complexa a arquitetura deste quadro, onde a imagem tem a tendência de convergir para o centro, recolhida e isolada do que está à sua volta , acentuando dessa maneira sua emergência plástica: olhos sem pupilas são magicamente vivos como os das máscaras africanas.

Agradecimento
Torno público o meu agradecimento às pessoas que me mandam e-mail e, generosamente, tecem palavras elogiosas aos meus escritos. Claro que eu respondo e agradeço a cada uma delas em particular e fico, deveras, comovida, pois é muito gratificante saber que meu blog está sendo visitado e considerado. Inclusive, cobram-me a reedição de alguns poemas, como, também, uma foto! Vou ver se me animo e estampo meu rosto no blog. Entendo a curiosidade, pois também gosto de ver as pessoas.
Quanto a ser poeta, à bem da verdade, não me considero uma, e sinto até um certo constrangimento ao referir-me assim ou quando recebo esse tratamento, e me penitencio diante dos grandes mestres pela generosidade dos que me leem e pela insanidade da minha parte! Estou sendo incoerente? Não! Apenas, nos últimos tempos, tento harmonizar as palavras e as uso para comunicar-me com as pessoas que para mim sempre foi muito difícil dado ao meu temperamento introvertido, pois no meu dia-a-dia não sou dada à eloqüência.
Algumas vezes tentei ser falante e irreverente, não fui bem sucedida, tornei-me até caricata . Mas isso faz parte do aprendizado, pois, embora já esteja na meia idade, a cada dia aprendo mais e, o que é melhor, descubro que não sei nada, que tenho muito mais a aprender do que a ensinar.
Peço desculpas se algumas vezes agrido a nossa língua, mas ela é danada de complicada e cheia de armadilhas, porém é isso que a torna tão singular.
Edna.
Antônio Frederico de Castro Alves
Os versos de Castro Alves que mais me impressionam estão em “Vozes d'Africa". A composição data de 1868, quando ele só tinha 21 anos - ou já tinha! Como é sabido, teve morte prematura 3 anos depois, aos 24 anos. A tamanha ousadia do poeta libertário e amoroso interpelando Deus, me comove todas as vezes que leio:
“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?”.
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde, desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...“
REPETECO - Por conta do dia do beijo, que é 13 de abril, eu fiz este poema em 2005 e todo ano, nesta data, eu o reedito. O beijo consegue ser mais gostoso do que chocolate, além do que, para algumas pessoas, por questões de saúde, ou preferência, o doce não é consumido, mas quanto ao beijo, todos podem e devem usar e abusar. Espero que saboreiem.
Beijo (Experimente)
Beijos, beijos, beijos e mais beijos,
todos despertados por um simples
ato de tocar com os lábios o alvo
ansiosamente desejado.
Se você é dada a beijar, não se
iluda companheira, você não é a
única e muito menos a primeira,
pois é muito grande a fila beijoqueira.
Beija-flor
Beija-flor-d'água
Beija-flor-da-mata
Beija-flor-da-mata-virgem
Beija-flor-do-mato
Beija-flor-do-mato-virgem
Beija-flor-grande
Beija-flor-pardo
Beija-mão
Beija-pé
Beijo-de-frade
Beijo-de-freira
Beijo-de-palmas
Beijo-de-sinhá
Beijo que causa prazer
Beijo que causa desgosto
Beijo para todos os gostos
Beijo molhado
Beijo linguado
Beijo sugado
Beijo vasculhado
Beijo colado
Beijo selado
Beijo apressado
Beijo atirado
Beijo escondido
Beijo demorado
Beijo roubado
Beijo esperado
Beijo tímido
Beijo escancarado
Beijo inocente
Beijo safado
Beijo desejado
Beijo odiado
Beijo horroroso
Beijo gostoso
Beijo leve
Beijo suave
Beijo terno
Beijo fraterno
Experimente um desses beijos, mas
se nenhum deles lhe satisfizer, crie,
invente um com o seu amor e, por favor,
avise-me para a minha lista compor.
Edna Oliveira de Sant’Ana
Beijo (experimente): Poesia
Salvador, 13 de Abril de 2005.
Orgia
Enquanto grande parte da população vive em condições subumanas, se engalfinhando para conseguir restos de peixe para comer na Semana Santa, conforme reportagem apresentada pela Bandbahia, cada senador gasta seis mil reais, por mês, com a conta do celular que é paga com o dinheiro da nação. Não satisfeito, o senador Tião Viana, do PT do Acre, emprestou o aparelho para sua filha viajar, e ela, simplesmente, gastou mais de quatorze mil reais com ligações. Quando a malversação, que é o desvio de valores do patrimônio público, chegou ao conhecimento da imprensa, o indivíduo que foi eleito para cuidar dos interesses da população, ao ser questionado, argumentou que agiu como pai preocupado.
Eu não sabia que ser pai cuidadoso significa permitir à filha abarrotar-se, fartar-se com recursos públicos. Pelos visto, o conceito de proteção paternal do senador é bastante peculiar.
Generación Y
Acessei o blog Generación Y da cubana Yoani Sánchez que é considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Ela tembém recebeu, em 2008, o prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital, concedido pela editora espanhola Prisa, proprietária do jornal El País.
Entre as notas postadas no Blog, a que mais me chamou a atenção foi sobre os “Maestros instantáneos” (Professores instantâneos), onde ela critica a situação do ensino em Cuba. Eu fiquei surpresa porque passei a minha vida toda ouvindo dizer que a saúde e a educação em Cuba eram de excelência. Lamento que não seja verdade, pois quando eu me lembrava do regime de repressão que o povo cubano era submetido, sem ter o direito de ir e vir, de expressar suas idéias, enfim, de viver sob o jugo de um ditador, eu me consolava pensando: pelo menos a saúde e a educação são de qualidade.
Quanto ao Brasil, sabemos que a maioria das crianças mora nos bairros periféricos, portanto, só pode freqüentar os colégios da rede pública, cujo ensino é da pior qualidade porque os professores não são qualificados. Não que eles não queiram ser, mas devido aos baixos salários, os bons profissionais ou vão para rede particular de ensino ou então se especializam em outras áreas. Uma pessoa em sã consciência jamais vai investir na sua qualificação profissional para ser professor, considerando que a remuneração beira ao ridículo. Além dos recursos humanos deficientes, boa parte das escolas públicas funciona em instalações precárias e não possui material didático de qualidade. É claro que existem as exceções, mas são raras. E assim, os estudantes vivem à mercê de pessoas sem capacidade para instruí-los a se tornarem cidadãos devidamente preparados, conscientes dos seus direitos e deveres. E tem mais: no ir e vir da escola, e até mesmo dentro dela, as crianças são assediadas por traficantes e pedófilos, pois , além da educação, a segurança no Brasil é uma chaga aberta, como também a saúde.
Enfim, não temos um ditador, mas temos um congresso onde políticos corruptos se locupletam com o dinheiro público que deveria estar sendo investido nessas áreas vitais para a população carente.
REPETECO – Como já disse anteriormente, eu faço parte de da II Antologia de Poetas Lusófonos e a apresentação ao público se deu ontem, 05 de abril, em Portugal. Participo com este poema, que foi escrito em abril de 2004.
Nação sem noção (Tristes poderes)
Essa nação não tem noção
que seu povo está exausto
de viver sem pretender,
de só ter deveres,
de não ter haveres,
de não desfrutar dos prazeres.
Que seu povo está cansado
de viver ao deus-dará
e não adianta apelar para os poderes,
pois é uma grande farsa
o que se passa lá na praça.
No plano mais alto
tudo em volta está envolto
em lodo pegajoso
que atrai o inescrupuloso
para o ardiloso e vantajoso
jogo do poder.
De um lado,
um prato emborcado
já farto do repasto.
Do outro lado,
um prato desemborcado
sempre atrás do maior bocado
para dividir entre seus pares.
E no último reduto de todas as garantias,
o cidadão - o povão – apela por proteção
que garanta ser o seu anseio um direito,
mas logo, logo o seu sonho é desfeito.

A Folheto Edições, a Câmara Municipal da Batalha e o Director do Mosteiro da Batalha, têm a honra de convidar V. Exa. e Família para a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos.
Depois do sucesso da I Antologia de Poetas Lusófonos, que contou com mensagens de parabéns dos Presidentes da República de Portugal e do Brasil, assim como do Primeiro-ministro de Portugal, a editora Folheto, em parceira com várias Associações e Academias, de diversos países, entendeu levar a efeito a II Antologia de Poetas Lusófonos.
A II Antologia, com cerca de 500 páginas, conta com a participação de 134 poetas (seleccionados dos cerca de 400 participantes) de 11 países: Portugal; Brasil; França; Suíça; Inglaterra; Angola; Timor; Canadá; EUA; Moçambique e Índia.
A cerimónia terá lugar no Mosteiro da Batalha, no dia 5 de Abril de 2009, com início às 15:30 horas, nas Capelas Imperfeitas, com a actuação da Orquestra Filarmonia das Beiras. Às 16:30 horas, no Auditório do Mosteiro, terá lugar a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos.
Haverá um momento de poesia com a participação vários poetas.
Em anexo seguem o convite, a capa do livro e o texto de apresentação.
A entrada é livre.
Contamos com a sua presença.
Em nome de toda a equipa,
respeitosos cumprimentos
Sandra Amaro
(Técnica Superior de Comunicação)
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